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Em busca do carro tolerável. Capítulo 1: "Kaçando"

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Fui "Kaçar"

 

Se você acompanha este blog (escrever aqui não me dá dinheiro algum, você quer que eu vá chorar para o Temer me financiar?), certamente já deve saber de como é o meu relacionamento com o famigerado Corsa sedã. É o carro que foi referência aqui no Brasil na década de 90, acabando de vez (tá, o Uno permaneceu, mas veio algo melhor, o Palio) com as velheiras filhas do protecionismo soviético do país.

Minha mãe, a principal pessoa que irá ficar com o carro (apesar de eu já ter virado motorista dela, porque ela já reclama de dirigir o Chevrolet... você sabe, direção sem assistência, pedais pesados...), então ficou com a ideia de trocar de carro, após ter dirigido o Fox durante uma viagem, cujo simplesmente a encantou, como se houvesse repente conhecido um homem italiano.

Deste modo, então o filho aqui, que tem mais tempo disponível (diga-se, desempregado na realidade mas empregado segundo o IBGE), começou então a pincelar as ideias de carros... o carro deve caber na garagem em comprimento (isso é fácil, o Corsa cabe relativamente bem com os 4 metros de comprimento, mas no limite, é claro), modelo 2012 para cima, até R$35 mil e, mais importante, agradar a ela. Eu poderia falar para ela comprar um Focus ou afins (no fundo eu gostaria de um Camry, mas isso é fora da realidade no momento), mas é ela quem no final irá dar a palavra. Então aqui estou eu nessa missão em ajudá-la.

Então no dia 28 do mês de outubro de 2017, fiquei fitando um bonito Ka preto da OLX, aqui mesmo de Mococa. Parecia uma coisa sedutora: modelo 2016, com 14 mil quilômetros rodados (não deixem o Felipe Portuga ver esse carro, por favor), cor preta, bancos impermeabilizados na concessionária Ford, capas nos bancos dianteiros (também genuínas), SE e com motor 1,0 litro, por R$35 mil (leva-se R$0,10 de troco). Só que o desatento aqui esqueceu de ver o manual do proprietário para confirmar...

Dessa vez terá fotos do carro, com a autorização dos donos, um jovem casal. Eles foram amigáveis conosco e nos acompanharam no teste. Então analisemos, da maneira mais fria e com maior qualidade possível de um sujeito sem diploma de jornalismo (bom pelo menos eu não uso a denominação de litragem do motor errada com "motor um ponto zero", ao invés de "motor um litro", cuja é respeitada somente pelas mídias Best Cars, Garagem do Bellote e Autoentusiastas, pelo que conheço até agora).

 

Introduzindo...


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Entrando no carro, começando pelo banco de trás, a impressão é de um carro com espaço satisfatório (o mal que acomete aqui no Brasil é que o carro tem que ter espaço de médio, motor de médio e manutenção de pequeno, graças ao maravilhoso padrão de vida médio brasileiro que permite ter no máximo um carro), no qual a minha cabeça não raspa (o que ocorre no Versa atual, por exemplo), com desenho correto dos assentos. O tecido não é de uma qualidade Vignale mas ele tem bom aspecto e está dentro do esperado, sem nenhuma falha ou desfiamento. O acabamento interno aparentemente é bom. Aparentemente. Como estou acostumado a observar protozoários com milímetros de comprimento ("mal de Lange"), consegui notar peças frágeis nas portas e desníveis na tampa do porta-luvas, o que me decepcionou. Se é que o Ka indiano exportado para os britânicos talvez não mude muita coisa...

 

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Perdoe-nos pela má qualidade da foto aqui. Mas aqui se nota um desalinhamento.

 

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Montagem precária e precariedade no acabamento das portas traseiras. Dá vontade de mandar um tapeceiro colocar uma faixa de tecido acolchoado...

 

Sentando no banco do motorista, é fácil encontrar uma posição de dirigir. O que eu particularmente estranhei é o pedal de embreagem com curso um tanto curto, talvez seja questão de costume. Achei também o encosto um tanto duro (fazendo justiça, o do HB20 é pior, parece uma tábua, competindo com o City) ou talvez a minha coluna torta esteja sendo exigente demais. O assento está correto quanto ao posicionamento das coxas. Posição toda arranjada, vamos lá.

 

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Ergonomia é destaque no carro. Comandos fáceis e simples de serem usados.


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Aqui melhora um pouco, mas era melhor ter deslocado esse pedaço de tecido para a peça onde fica o braço... 

 

Dando a partida no motor (o abobalhado de novo esqueceu outra coisa relevante: perguntar qual combustível estava usando...), outra coisa percebida foi a aspereza do funcionamento de baixas a médias rotações (em altas não foi possível visto as condições limitadas de teste, um trajeto curto pelo bairro e suas proximidades). Era algo que eu esperava no segundo Corsa e já conhecia dos demais motores antiquados Família I da marca, mas em um motor com projeto e concepção tão atuais como esse (duplo comando de válvulas, cabeçote em alumínio, quatro válvulas por cilindro, variação do tempo de abertura das válvulas tanto nas de admissão quanto de escapamento), é algo lamentável (até o 1,0 litro do Onix, uma reencarnação do Família I, é mais suave). Poderia ter colocado logo as árvores de balanceamento (deve ter melhorado na versão Trail do modelo). O motor em questão tem parentesco, ou melhor, é, a grosso modo, o EcoBoost sem o turbocompressor e injeção direta, com 80/85 cv (gasolina e álcool respectivamente) e torque de 10,2/10,5 m.kgf à 4500 rpm (gasolina e álcool respectivamente).

 

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Muito bom também o painel de instrumentos. Simples e que faz o papel bem-cumprido.

 

Como de praxe em motores de três cilindros em linha, o motor emite um ronco agradável (se o downsizing tirou sons deliciosos de motores seis-cilindros em alguns carros em troca de um som de quatro-cilindros, neste aqui o três-cilindros parece algo consolador), lembrando motores V6 (anos atrás alguns me debocharam quando eu disse isso do Up, problema deles). O carro às vezes demora um pouco para responder em determinadas faixas de rotação, mas é questão de reduzir uma marcha (outro mal de quem está acostumado a dirigir um carro que consegue rodar a 30 Km/h em rua plana em quarta marcha sem provocar lugging). O carro também tem boa visibilidade e comandos acessíveis e, no caso da alavanca de setas, um manuseio algo refinado (mais um incentivo para você sinalizar sua direção, caro motorista). O painel de instrumentos é simples mas é muito bom, com tacômetro e velocímetro bem posicionados aos olhos, embora a falta do marcador de temperatura de água do motor possa incomodar alguns saudosistas (por favor, não vá exigir a instrumentação de um Mercedes-Benz W126). A direção, com assistência elétrica, tem acerto muito bom e é possível manobrar o carro com um dedo. Bom também o volante, com anatomia adequada para as mãos e polegares que, no modelo testado, tinha uma simples capa para proteção contra ácido úrico e raio solar. Graças ao acerto de suspensão que, ao menos no trajeto com algumas oscilações e irregularidades, pode-se perceber que o carro também tem um rodar macio, algo já esperado de um Ford. Boa também a transmissão, com engates curtos, macios e precisos, com uma ré fácil de ser engatada, como se fosse uma sexta marcha. Não é um câmbio Volkswagen mas já está ótimo. O sistema de ar-condicionado atuou de maneira satisfatória, também. E bons os freios que, embora possam gerar alguma controvérsia pelos discos dianteiros não serem ventilados (e o do Corsa de 2001 é...), atuam bem.

 

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Alavanca com engates precisos e curtos, sem ser "secos". 

 

O porta-malas possui um tamanho adequado e está dentro da média do segmento. Não, eu não testei o sistema de áudio, me desculpe por isso. Bem úteis os porta-objetos nas portas.

Em matéria de segurança, o carro fica numa posição medíocre (esperado de um país que se acha o centro do mundo e se fecha, a festa deve acabar com o fim do Atrasa... ops, Inovar-Auto), com os esperados freios antitravamento e bolsas infláveis frontais, além do sistema ISOFIX de fixação de cadeirinhas (pelo menos na linha 2017 a Ford tomou consciência, após aumentar o preço um monte de vezes, ao colocar os quinto encosto de cabeça e cinto de três pontos), mas fica o puxão de orelha para a falta das bolsas infláveis laterais e, o mais cômico de todos, a falta de repetidores laterais de direção, coisa que existia num Ka básico ao extremo da década de 90. O pacote de itens de conveniência é bom e suficiente para sobreviver: banco traseiro rebatível, ajuste de altura no volante, direção assistida, ar-condicionado e travas e vidros dianteiros com acionamento elétrico.

 

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Porta-malas com espaço adequado.

 

Eu poderia levar o carro para uma rodovia, mas acalme-se Felipe, o carro não é seu e isso talvez incomodasse os donos. Você ainda tem mais carros para testar. E para a mãe também. Ah, ela gostou do carro. Você ainda usará um carro pelo PegCar. Ou algum outro aplicativo fora das jurássicas locadoras de carros (torço que esses aplicativos façam o mesmo que a Netflix fez com as locadoras de filmes).

Este é o primeiro capítulo. Os próximos capítulos serão feitos conforme os respectivos proprietários e lojas colaborarem conosco. Estamos de olho.

 

Pontos fortes:

- Suspensão;

- Transmissão;

- Aspecto visual do interior;

- Instrumentos;

- Ergonomia;

- Ronco do motor;

- Versatilidade;

- Posição de dirigir;

- Espaço interno;


Pontos fracos:

- Qualidade construtiva;

- Aspereza de funcionamento;

- Anatomia do encosto dianteiro;

- Segurança;

 

Ficha técnica:

 

Motor: dianteiro, transversal, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, bloco em ferro fundido e cabeçote em alumínio, tração dianteira.

Taxa de compressão: 12:1

Cilindrada: 997 cm3.

Diâmetro e curso: 71,9 mm e 81,8 mm.

Freios: dianteiros a disco e traseiros a tambor.

Potência e torque máximos: 80/85 cv a 6300 rpm (gasolina e álcool respectivamente) e torque de 10,2/10,5 m.kgf a 4500 rpm (gasolina e álcool respectivamente).

Transmissão: manual de cinco marchas, todas sincronizadas. 

Relações de marcha: 1ª 3,85; 2ª 2,04; 3ª 1,28; 4ª 0,95; 5ª 0,76; Relação de diferencial: 4,73

Suspensão: dianteira independente McPherson e traseira eixo de torção.

Direção: pinhão e cremalheira, com assistência elétrica.

Diâmetro de giro: 9,6 metros

 

Dimensões:

Comprimento: 3,886 metros

Largura: 1,69 metro

Altura: 1,52 metro

Distância entre eixos: 2,49 metros

Massa: 1026 Kg

Porta-malas: 257 litros

 

Pneus: 175/65 R14

 

A postagem original você pode conferir aqui.

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Pessoal, esqueci de mencionar que eu finalmente recebi minha CNH definitiva (minha expressão alegre ao se deparar com a burocracia estatal):

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Se ela ficou encantada com o alemão, por que não garimpa um Fox para ela? Os Prime modelo 2012, se não engano, já vem com abs e duplo airbag de série.

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Tem que achar um bom em Mococa e região porque ela quer evitar custos maiores (e a gente só conhece hoje um bom mecânico, aqui em Mococa, para analisar o carro na parte mecânica). Por enquanto eu não encontrei ainda. Estou pensando no Bluemotion com o motor três-cilindros porque é econômico.

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Pois é, infelizmente não dá pra esperar qualidade de carro médio nos carros de entrada. Mas ao rodar, eu achei o Ka um dos pequenos mais agradáveis de dirigir entre os que estão disponíveis hoje.

 

O acabamento é ok pra categoria, mas a ergonomia e posição de dirigir achei das melhores, assim como o compromisso entre conforto e estabilidade da suspensão. O Fox é BEM mais duro e quicante em pavimentos não ideiais. Então considero o Ka como tendo melhor suspensão seja na cidade, seja na estrada, do que o Fox.

 

Em termos de motor, por sua vez, o que notei é que é um motor de alta. Mesmo com variador, em baixa tem o suficiente mas é menos ágil do que o Up e provavelmente o 3 cilindros da Fiat, por exemplo. Mas em alta a coisa se inverte, provavelmente é o 1.0 aspirado de melhor desempenho no Mercado hoje. Ou seja, colocando de outra forma: comparando com o UP, o Ka é um carro melhor pra Estrada (por motor e por suspensão) do que o Up (pelos mesmos motivos). E, nesse aspecto, no máximo empata com o Fox 1.0 na cidade e continua melhor na estrada.

 

Agora, o grande diferencial que a meu ver as mulheres adoram no Fox é a posição mais alta e vertical do Fox. Quando achei o dela, minha tia reclamou da suspensão dura, mas achou excelente a posição de dirigir e a visibilidade do Fox.
 

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E é verdade, não adianta, tem um lado provável psicológico que faz com que as mulheres (não posso falar de todas porque há entusiastas como a Rebecca Jackson) que gostam da posição mais alta de dirigir. Eu pelo menos não achei o Fox com suspensão desconfortável.

Acabei de chegar em casa e falarei mais para vocês como foi o mini-teste com o Sandero Stepway.

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A posição de dirigir é boa, os engates são bons, ele é meio durinho mesmo, mas passa segurança, é um carro na mão.

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Saiu já pessoal! Vocês podem conferir também no blog.

 

Parece um carro até interessante...

 

Se você viu a postagem anterior, certamente sabe que estamos em busca de um carro ideal para a mamãe.

Então, hoje, dia 30/10/2017, acordei cedo para irmos com ela para conhecermos então o Renault Sandero Stepway 1,6, modelo 2014, numa loja de carros conhecida já por nós. Eu já havia mostrado por fotos o carro para ela, ela já ficou um pouco entusiasmada. Mais que eu, inclusive.

 

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O carro, de fato, tem um visual mais intimidador (se é que valha esse adjetivo) que o Ka. É um projeto brasileiro inspirado no Logan romeno, logo adotado também por eles. É óbvio que o nosso nunca teve motores diesel nem o motor 0,9 litro com turbocompressor. Ele tem praticamente o comprimento do Corsa. O carro tem 138 400 quilômetros no hodômetro e pede-se nele R$36 mil.

E sabe o que mais empolgou a mãe? As barras de teto, que tinha no seu Uno CS 1,5 i.e. de 1991. Ela falava algo como "olha os pneuzão dele né...".

Entrando nele, a sensação inicial é de um carro amplo. E é amplo, de fato. Há espaço de sobra para a minha cabeça (apesar de eu ter 1,73 metro de altura) e há acomodação adequada para pernas e coxas, além do encosto adequado. O couro sintético tem um bom aspecto, também. Apesar do tecido nas (quatro) portas destoar do couro (por que a Renault foi tirar na segunda geração...), não é, de modo algum, ao menos para mim, um incômodo. Há um pouco de espuma, relativamente cômodo para apoiar os braços. Ruim mesmo é o apoio, além do puxador e da carência de porta-objetos nas portas traseiras (e nas dianteiras também). Bem interessante a decoração nas portas, talvez tentando afastar um pouco a imagem (real) de rusticidade de um carro para passar por países ingratos como o Brasil.

 

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O acabamento interno geral é... err... razoável, com desníveis e peças plásticas fazendo barulho e com montagem duvidosa. Há parafusos aparentes nas maçanetas das portas, mas esses são os que menos me incomodam.

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Aquilo é um código QR?

 

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Algo que, no entanto, me incomodou, foi uma marca abaixo no banco traseiro, mostrada logo abaixo na imagem. Embora o estado do estofamento esteja bom para um carro de 138 400 quilômetros, provavelmente cuidado com hidratação e afins, isso me deu já uma agonia. Não sei se seria possível arrumar (estou confiante que sim). Sou um perfil de comprador que se vir um rasguinho na foto de um banco de um anúncio de um automóvel na Internet (além de carência de fotos de interior, e fotos com qualidade pior que de uma Tekpix), eu já descarto. Mas esse é o meu perfil, não o da minha mãe.

 

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Oh Lange... por que...

Assim como no Ka, falta um cinto de três pontos para o quinto passageiro.

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Encontrei certa dificuldade para encontrar posição para dirigir. A alavanca de ajustar altura tem um funcionamento infeliz: para o banco levantar, você tem de levantar as suas nádegas, como se fosse uma espécie de exercício de Pilates, além da posição péssima e que exige praticamente a porta aberta. A "roda" de reclinar fica do outro lado do banco, exigindo mais esforço do que o usual, não apenas pelo tamanho diminuto mas também por estar praticamente apertada entre os bancos, próxima ao console. A alavanca de ajustar a altura do volante é dura e causa a sensação de que irá estragá-la. Poderia ter também ajuste de profundidade, o que limita pessoas com braços maiores, como eu...

Apesar de tudo, o banco possui anatomia adequada. O pedal de freio tem curso bem curto (será falta de ajuste?), e os demais estão corretos. O posicionamento deles é satisfatório. Há outras falhas de ergonomia também, com os comandos de ventilação confusos (e distantes das mãos) e que exigem um certo costume para o ajuste correto, além do comando dos retrovisores elétricos, que fica próximo à alavanca de câmbio. O volante tem bom aspecto com o revestimento, no entanto a anatomia para as mãos e polegares do volante do Ka é melhor.

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A central multimídia? Esqueci de levar o meu leitor de cartão com USB, iria já colocar um Take My Breath Away... Ficou aí só de enfeite.


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Puxador da porta adequado, mas já com barulho e montagem relaxada (a questão é se já saiu de fábrica ou se "ganhou" ao longo do tempo). O aspecto de preto brilhante denuncia com facilidade risco e sujeira.


Dando partida, boas surpresas. O motor, de fato, é bem suave, ao menos foi assim em todas as faixas de operação no mini-teste feito. É o velho conhecido K4M, estreado em 1999 em alguns modelos da Renault. A impressão é que ele vai bem em todos os carros nos quais ele foi aplicado: no Clio, Symbol, Logan, Mégane... é claro que este aqui recebeu algumas atualizações, com 107/112 cv (álcool e gasolina respectivamente) e 15,1/15,5 m.kgf de torque. São valores bons para um carro um tanto pesado, 1117 Kg. É um motor de manutenção simples e confiável, como se espera desses motores já com certa idade no mercado.

Vamos embora? Vamos. Além da suavidade, o carro tem muito boa disposição, o que me permitiu subir um aclive bem inclinado em terceira marcha. Bons os grafismos no painel de instrumentos, com decoração interessante e boa visualização. O motor é relativamente silencioso até a faixa de 3000 rpm, então fazendo um barulho curioso (talvez um ruído de acasalamento?). A transmissão é que decepciona. Ela tem engates sem firmeza, principalmente da segunda para a terceira marcha, podendo levá-lo a duvidar de si mesmo se você a trocou adequadamente. Além disso a alavanca parece molenga, evidentemente quando você coloca em ponto-morto. A anatomia da alavanca é boa, mas o engate é melhorável, poderiam ter herdado isso do Mégane. Não, eu não sabia qual combustível ele estava utilizando.

Passando pelos malditos paralelepípedos, bastante ruído interno de plástico (e incômodo), talvez mais que o próprio Corsa, evidenciando montagem precária no acabamento interno (o negócio é encher o carro de isolamento). Aqui se nota conforto de rodagem e, com a altura livre do solo de 18,5 cm, fica ainda melhor para passar por malditas lombadas. E ele passa bem por lombadas. A direção, com assistência hidráulica, é também melhorável, algo pesada em manobras.

Bom, a segurança... é... abaixo do medíocre. Falta itens que estão disponíveis, inclusive no Sandero romeno (e com rodas de ferro), como bolsas infláveis laterais, cinto de três pontos para o quinto passageiro e controles de tração e estabilidade. Pelo menos tem os repetidores laterais de direção que, na geração atual, ficaram agora restritos somente às versões mais caras, com as Dynamique e Stepway.

O pacote do carro é bom: bolsas infláveis frontais, freios antitravamento, direção assistida, vidros elétricos nas quatro portas, ar-condicionado, revestimento dos bancos em couro sintético, central multimídia (essa eu dispenso, eu posso brincar com isso quando eu for passageiro) e rodas de alumínio.

O porta-malas não chegamos a ver (por pressa mesmo, mamãe tinha de ir trabalhar, aqui a margem de atraso é maior porque Mococa tem pouco congestionamento e é tudo perto quando se tem um carro), mas o tamanho é muito bom para o porte, com 320 litros de capacidade.

É um carro razoável, mas sinceramente eu não compraria, seja pelas impressões, seja por aquele detalhe, seja pela quilometragem (não que o carro não aguente, eu tenho certeza que esse passa dos 500 mil quilômetros com facilidade). Pelo preço, acho que dá para encontrar coisa melhor no mercado. Vai depender da mãe agora. Ah, só para dizer... ela desistiu do Up (ela ouviu de uma amiga dela que o carro é pequeno e não cabe nada dentro, aí ela caiu na evidência anedótica e não tira da cabeça) e o acha "um carro quadrado e pequeno" e quer um carro "com porte e posição alta de dirigir". É algo contraditório talvez. Ela quer um carro que caiba na garagem mas que também tenha um porte robusto (talvez ela goste do Onix). Papai querido, dê o seu Toyota Rav4 para ela...

Se for o caso, eu mesmo testarei mais carros aqui na cidade (ou em outras, neste caso, avisando à mãe, é claro), se eu encontrar. Vou ver o que posso fazer.

 

Pontos fortes:

- Suspensão;

- Detalhes visuais do interior;

- Aspecto visual do interior;

- Painel de instrumentos;

- Desempenho;

- Suavidade do motor;

- Versatilidade;

- Espaço interno;


Pontos fracos:

- Qualidade construtiva;

- Transmissão;

- Ergonomia;

- Segurança;

- Refinamento;

- Acabamento interno;

 

Ficha técnica:

Motor: dianteiro, flexível em combustível, transversal, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, bloco em ferro fundido e cabeçote em alumínio, tração dianteira.

Taxa de compressão: 10:1

Cilindrada: 1598 cm³.

Diâmetro e curso: 79,5 mm e 80,5 mm.

Freios: dianteiros a disco ventilado e traseiros a tambor.

Potência e torque máximos: 107/112 cv a 5750 rpm (gasolina e álcool respectivamente) e torque de 15,1/15,5 m.kgf a 3750 rpm (gasolina e álcool respectivamente).

Transmissão: manual de cinco marchas, todas sincronizadas. 

Relações de marcha: 1ª 3,36; 2ª 1,86; 3ª 1,32; 4ª 1,03; 5ª 0,82; Ré: 3,55; Relação de diferencial: 4,50

Suspensão: dianteira independente McPherson e traseira eixo de torção.

Direção: pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica.

Diâmetro de giro: 10,5 metros

 

Dimensões:

Comprimento: 4,09 metros

Largura: 1,75 metro

Altura: 1,578 metro (com barras de teto 1,64 metro)

Distância entre eixos: 2,58 metros

Massa: 1117 Kg

Porta-malas: 320 litros

 

Pneus: 195/60 R16

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1 hora atrás, MIS disse:

A posição de dirigir é boa, os engates são bons, ele é meio durinho mesmo, mas passa segurança, é um carro na mão.

Eu também gostei da precisão de direção daquele carro. Creio que ele seja muito bom para rodovias. 

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